Entre o “ironista” e o “decolonial” : um estudo pragmatista de Walter Mignolo
Em seus escritos Mignolo faz uma crítica contundente à matriz de conhecimento “moderno/colonial” que aparece como um dos elementos chave na manutenção de um padrão de poder hierarquizador e racista, a “colonialidade”. Nessa perspectiva, a epistemologia dominante, incluindo o conjunto das ciências so...
Main Author: | FREITAS, Altiere Dias de |
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Other Authors: | MORAIS, Jorge Ventura de |
Format: | doctoralThesis |
Language: | por |
Published: |
Universidade Federal de Pernambuco
2019
|
Subjects: | |
Online Access: |
https://repositorio.ufpe.br/handle/123456789/33792 |
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ir-123456789-337922019-09-27T05:10:19Z Entre o “ironista” e o “decolonial” : um estudo pragmatista de Walter Mignolo FREITAS, Altiere Dias de MORAIS, Jorge Ventura de http://lattes.cnpq.br/9125510135779722 http://lattes.cnpq.br/4863742227544521 Sociologia Pensamento Pragmatismo Intelectuais Mignolo, Walter, 1941- Em seus escritos Mignolo faz uma crítica contundente à matriz de conhecimento “moderno/colonial” que aparece como um dos elementos chave na manutenção de um padrão de poder hierarquizador e racista, a “colonialidade”. Nessa perspectiva, a epistemologia dominante, incluindo o conjunto das ciências sociais, contribui para o silenciamento e apagamento da experiência e dos saberes dos “subalternos da colonialidade”. No entanto, Mignolo alega ser possível criar uma teorização inovadora e “desobediente”, capaz de, no contato com as coletividades que sofrem opressão e apagamento da experiência, promover um “pensamento outro”. Esse “giro decolonial” exige uma transformação profunda na base de conhecimentos e nas práticas daqueles que se interessam de forma acadêmica, ética e prática pelos destinos dos “Outros” do pensamento universalista ocidental. Na narrativa de Mignolo, surgem vários exemplos desse “pensamento limiar” e o próprio autor argentino parece dramatizar a sua perspectiva como um exemplo dessa nova prática intelectual. Com o auxílio do pragmatismo de Richard Rorty e de Williams James, argumento que apesar de Mignolo se identificar com um ideal normativo de “intelectual”, o “intelectual decolonial”, e de ter elementos em sua teoria que, de fato, indicam novas práticas intelectuais, acaba caindo nos dilemas de um “ironista”. Isso significa que características que ele julga negativas, tal como o caráter imperialista e autolegitimador do pensamento racional, se insinuam em sua teorização. Alego, contudo, que existe uma dimensão do pensamento de Mignolo que impulsiona uma relação dialógica, rica e transformadora com grupos sociais e coletividades submetidos à colonialidade. Essa expressão de sua obra é passível de receber contribuições de um “pragmatismo social”. O resultado é um “conhecimento impossível” que pode ser posto a serviço da compreensão teórica e de ações práticas que visem melhorar a vida dos damnés. CNPq In his writings, Mignolo makes a forceful critique of the "modern / colonial" knowledge matrix that is one of the key elements in maintaining a hierarchical and racist pattern of power, "coloniality." In this perspective, the dominant epistemology, including the social sciences as a whole, contributes to the silencing and erasure of the experience and knowledge of the "subalterns of coloniality." However, Mignolo claims that it is possible to create an innovative and "disobedient" theorization capable of promoting a "different thought" in contact with collectives who suffer oppression. This "decolonial turn" requires a profound transformation in the knowledges and practices of those who are academically, ethically, and practically interested in the destinies of the "others" of the Western’s universalist thinking. In Mignolo’s account, several examples of this "border thinking" emerge and the Argentine author himself seems to dramatize his perspective as an example of this new intellectual practice. With the help of the pragmatism of Richard Rorty and Williams James, I argue that, although Mignolo identifies with a normative ideal of "intellectual," the "decolonial intellectual”, having elements in his theory that indicate new intellectuals’ practices, he ends up falling into the dilemmas of an "ironist". This means that characteristics that he deems negative, such as the imperialist and self-legitimizing character of rational thought, are insinuated in his theorizing. I argue, however, that there is a dimension of Mignolo's thinking that fosters a dialogic, rich and transformative relationship with social groups and collectivities that are submitted to coloniality. This expression of his work is likely to receive contributions from a "social pragmatism". The result is an "impossible knowledge" that can be put at the service of theoretical understanding and practical actions aimed at improving the life of the damnés. 2019-09-26T19:49:05Z 2019-09-26T19:49:05Z 2019-02-11 doctoralThesis https://repositorio.ufpe.br/handle/123456789/33792 por openAccess Attribution-NonCommercial-NoDerivs 3.0 Brazil http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/3.0/br/ application/pdf Universidade Federal de Pernambuco UFPE Brasil Programa de Pos Graduacao em Sociologia |
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Sociologia Pensamento Pragmatismo Intelectuais Mignolo, Walter, 1941- |
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Sociologia Pensamento Pragmatismo Intelectuais Mignolo, Walter, 1941- FREITAS, Altiere Dias de Entre o “ironista” e o “decolonial” : um estudo pragmatista de Walter Mignolo |
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Em seus escritos Mignolo faz uma crítica contundente à matriz de conhecimento “moderno/colonial” que aparece como um dos elementos chave na manutenção de um padrão de poder hierarquizador e racista, a “colonialidade”. Nessa perspectiva, a epistemologia dominante, incluindo o conjunto das ciências sociais, contribui para o silenciamento e apagamento da experiência e dos saberes dos “subalternos da colonialidade”. No entanto, Mignolo alega ser possível criar uma teorização inovadora e “desobediente”, capaz de, no contato com as coletividades que sofrem opressão e apagamento da experiência, promover um “pensamento outro”. Esse “giro decolonial” exige uma transformação profunda na base de conhecimentos e nas práticas daqueles que se interessam de forma acadêmica, ética e prática pelos destinos dos “Outros” do pensamento universalista ocidental. Na narrativa de Mignolo, surgem vários exemplos desse “pensamento limiar” e o próprio autor argentino parece dramatizar a sua perspectiva como um exemplo dessa nova prática intelectual. Com o auxílio do pragmatismo de Richard Rorty e de Williams James, argumento que apesar de Mignolo se identificar com um ideal normativo de “intelectual”, o “intelectual decolonial”, e de ter elementos em sua teoria que, de fato, indicam novas práticas intelectuais, acaba caindo nos dilemas de um “ironista”. Isso significa que características que ele julga negativas, tal como o caráter imperialista e autolegitimador do pensamento racional, se insinuam em sua teorização. Alego, contudo, que existe uma dimensão do pensamento de Mignolo que impulsiona uma relação dialógica, rica e transformadora com grupos sociais e coletividades submetidos à colonialidade. Essa expressão de sua obra é passível de receber contribuições de um “pragmatismo social”. O resultado é um “conhecimento impossível” que pode ser posto a serviço da compreensão teórica e de ações práticas que visem melhorar a vida dos damnés. |
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